segunda-feira, 16 de junho de 2008

"Eu já"



Carmem, do delicioso Duas Bocas, propôs um “meme” para seus assíduos e resolveu me convidar. Isto foge da proposta inicial do Meu Outro Eu, mas como a proposta é interessante e também por se tratar do primeiro que me foi proposto (e como tudo tem uma primeira vez) eis-me aqui, na tentativa – se é que conseguirei – de tentar ser um décimo interessante do que Carmem elencou como “Eu já”, inicialmente proposto pelos Pequenos Delitos, vamos a eles:
Eu já fui atrás de um grande amor de carona, com míseros trocados no bolso, sem endereço certo, em uma cidade do interior completamente desconhecida;
Já tive alguns nicks com personalidades diferentes, que me ajudaram a contabilizar nas conquistas femininas;
Já disse “eu te amo” apenas vê-las felizes na hora do gozo;
Eu já seduzi muitas mulheres casadas e adoro isto;
Eu já as fiz dizerem: “eu sou tua puta, tua putinha”;
Eu já as induzi a fazerem coisas que jamais sonharam com seus maridos – e elas gostaram em sua maioria;
Eu já comi a minha tia;
Eu já as induzi engolir meu esperma e adorarem te-lo feito apenas para satisfazer-me;
Mas fui mais além, eu as convenci de que o meu prazer também era o prazer delas e algumas realmente gostam e esperam por este momento;
Eu já seduzi apenas para o meu prazer;
Eu já apostei que ela faria coisas que jamais faria com o marido e ela perdeu;
Eu antes de tudo, mesmo que seja meu objetivo primeiro, sempre procuro faze-las felizes.
Carmem, fui a maior sacanagem que alguém me fez........ rs. Bj.

domingo, 15 de junho de 2008

M... com amor - parte II


Em julho de 77, ela voltou. Uma noite pensei ter ouvido sua voz no apartamento do seu irmão, o coração disparou, não quis acreditar. Mas sim, havia voltado e não me procurou. Eu também não iria, doía lembrar o que sequer havia esquecido. Queria evitar vê-la.
Na ocasião, não tinha muito tempo vago. Estudava pela manhã e a tarde trabalhava com meu velho. Isto me manteve distante por três longos dias. O inevitável estava para acontecer. De férias escolares, aproveitei para fazer dois turnos com meu pai. No final da manhã, ao me deixar em casa para almoçar, eu a vi. Ela estava na entrada do prédio, brincando com seu sobrinho. Viu quando cheguei. Com o coração apertado desci do carro e cruzei o espaço entre a calçada e a entrada do edifício. Ela estava caminhando com seu sobrinho e ao chegar na porta parou, no momento exato em que eu ia cruzar a porta de entrada. Me olhou, cumprimentou e esperou que eu parasse, seus olhos (os olhos que tanto amei) pareciam suplicar. Mas a dor era intensa, enorme. Vê-la trouxe novamente todas as coisas que eu tentei, dia após dia apagar da lembrança, naquele instante percebi que não havia conseguido. A sensação era um misto de raiva e de ódio, justamente por não ter conseguido esquecê-la. Também porque ela havia voltado e não me procurara, e eu entendi que ela me evitava, como ficou claro que eu não a esquecera.
Mais dois dias se passaram até que novamente nos encontrássemos. M e eu tínhamos amigos em comum. Ao entardecer, no final de um dia, dirigi-me para casa de meu amigo G como fazia geralmente para conversarmos. Ele me recebeu com cerimônia, pediu-me calma, na hora não entendi, mas evitei questionar, seus pais estavam em casa e aquele não era o momento.
Fomos em direção ao seu quarto e ao entrar deparei com M, sentada em uma das camas. Fiquei totalmente sem ação, completamente mudo. Não foi à toa que ela estava em sua casa, sabia que eu iria até lá e me esperou. Seus lindos olhos verdes brilharam, um sorriso delicado estampou seu rosto. Estendeu-me a mão esperando que eu a pegasse. Mas garotos apaixonados tem orgulho imbecil e eu não atendi ao seu gesto. Ela chorou. Meu amigo saiu do quarto e ela começou a explicar o que havia acontecido. Contou que teve que deixar sua prima porque precisava trabalhar e conseguira um emprego em uma grande capital na editoração de cinema. Foi apenas com a vontade de mudar e vencer as adversidades. Levou um tempo até se firmar e ao final de seis meses voltou para visitar seu irmão, já que tiveram que parar as filmagens onde ela trabalhava. Ficaria até o final de julho e então voltaria. Não tinha me contatado pois temia que eu fosse ao encontro dela, eu certamente iria se eu soubesse onde estava. Pediu-me perdão, levantou-se e novamente estendeu-me as mãos. Meus olhos estavam prestes a se encher de lágrimas e foi o que aconteceu. Chorei. Um choro doído, de amor, de alegria contida, de felicidade tolhida. Ela então me abraçou, demoradamente e outra vez chorou. Pediu-me então para acompanhá-la, nos despedimos de meu amigo e saímos pela rua à caminhar. Entre a rua onde morava e a rua onde morava meu amigo, haviam duas casas do mesmo proprietário e que usávamos para cortar caminho. Entrei com M pelo terreno e embaixo das árvores ficamos abraçados, nos olhando. Uma chuva fraca começou a cair e M então me beijou. Meus lábios estavam sedentos dos seus. Outra vez chorei, agora de felicidade. Meu coração se apaziguou, M havia voltado.
Os dias que se seguiram foram incríveis, a sua presença era suficiente para satisfazer os desejos do coração. Naquele mês nos mudamos, e ainda levamos uns dias para entregar a chave do apartamento. Andava com M sempre que possível. Levei-a a um show de MPB com Ivan Lins que se apresentou em minha cidade. De certa forma lembro dela ainda sempre que escuto “Somos todos iguais nesta noite”. E é fácil saber o porquê. Ao término do show, ainda encantados com o que ouvíramos, seguimos para casa. Eu estava dormindo em um colchão que tinha ficado no apartamento e estava no chão da cozinha. Quase tudo mais já havia sido levado para o outro local. Estávamos eu, M e meu amigo G. O frio do inverno nos motivou a bebermos vinho e eu tinha um garrafão de cinco litros entre as poucas coisas que restaram no apartamento. G entendeu que era a hora de nos deixar e foi para sua casa. Deitamos no colchão e nos cobrimos a fim de esquentarmos por causa do frio. Eu apenas olhava para M, deitada de lado, também me olhando. Não precisávamos dizer nada. M então me beijou. Foi um beijo arrebatador, de desejo, de sedução, um beijo que indicava que muito mais aconteceria. Minhas mãos ergueram suas roupas, não lembro quantas, seus seios lindos despontaram e eu os olhava extasiado. Curvei-me sobre eles e os suguei, beijei, chupei-os com sofreguidão. M nunca fora tão minha como naquele instante. Nada se interporia entre nós. Sua calça foi aberta por quatro mãos nervosas e em segundos ela estava nua da cintura para baixo. A minha também rapidamente foi despida. Diferentemente de todas as outras vezes eu fui instintivo. Não era sexo apenas, era a consolidação de um desejo de duas pessoas que se amavam. Sei apenas que estava dentro dela e o que sentia não era apenas satisfação sexual. Lembro dos seus gemidos, de me dizer baixinho “amor, amor, amor...” Gozamos, e não foi a satisfação da carne. Foi algo diferente. Foi pleno, completo, maravilhoso... em minutos a queria novamente. Agora sim, para satisfazer a fome que eu tinha de seu corpo. Foi consciente, podia sentir o membro a invadindo, a cada estocada seus gemidos aumentavam, queria, precisava ouvi-la gozando. M então disse meu nome... baixinho, seguido de um “eu te amo”.
Ela dormiu comigo. Pela manhã, fria de inverno, se vestiu e foi para o apartamento de seu irmão. Dormi o resto da manhã e acordei ao meio dia. Me vesti, fui para casa de um amigo. Meu corpo ainda cheirava de nosso encontro. Pedi-lhe para tomar um banho e o fiz com pesar. Parecia que estava me desfazendo de uma lembrança que me havia sido tão cara. Ainda nos amamos mais uma vez, na casa de um amigo. Foi sem dúvida o mês mais importante da minha vida amorosa. M foi embora, desta vez não doeu tanto como antes. Um ano depois a vi novamente, eu já estava namorando uma garota que veio a ser minha esposa. Mas esta é outra história. Com M entendi a diferença entre sexo e amor.